sexta-feira, 29 de setembro de 2017

NA CHUVA DE PIJAMA

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NA CHUVA DE PIJAMA

Sairei na chuva
De pijama,
Para ver se o sonho
Me encontra.

Cansei de procurá-lo

A lua não colabora
Estrelas não marimbam
Quem sabe:
A noite fria
Molhada
Carimbe o sofrimento?

Um vulto
A amada
Solta ao vento
Molhada,
Úmida como um beijo
Nunca encontrado
Venha existir.

Danço
De pijama
Na chuva
Ao relento...

29/09/17

Tony-poeta

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

LADAINHA DA SOLIDÃO


IMAGEM GOOGLE general lee

LADAINHA DA SOLIDÃO


Solidão:
Nós a escolhemos.
Se o abandono,
Por qualquer razão,
Nos ataca
Vem de fora, só perpassa,
Vai embora.

Solidão é interna:
Taberna de mesas vazias,
O copo de traçado,
A recusa de sair.

Não há abandono.
É permanência,
Persistência
No sentir
Na ladainha pequena
Que martela.
Morfética!
Um dia falei:
“Converso com a solidão”.
Mentira!
Muda e monótona,
Nem alegre, nem revolta,
Um agoniante repetir calado.
Não tem verdade...
Nem mentira
Um self que se encolhe
Se recolhe...
Não quer ficar...
Nem partir
Perambula apenas no nada.

22/09/2017
Tony-poeta





domingo, 3 de setembro de 2017

MÚSICA

Imagem Google

MÚSICA
Música 
corpos desejantes 
Toques graciosos 
Maleáveis 
Insinuantes 
Solfejo em poesia 
Leito do sonhar 
União de auras 
Se tocam sem parar
Nunca se sabe
Se é viver 
Ou sonhar

Tony Poeta 
02 09 2017.

domingo, 13 de agosto de 2017

DIA DOS PAIS - escrito por Érico Jorge Gomes meu filho


O seu dom é arte...
E se mistura com o conhecimento que adquiriste para sobreviver...
Proteger a vida...
E procriar...
E as crias copiam,mesmo sem tentar...
Podem até lutar contra...
Mas no fundo tudo se repete...
Porque a carga concebida...
É a mais forte das ligações...
Algo que nunca se quebra...
E se multiplica...
Pela herança...
Do simples prazer de pensar...
Da verdadeira generosidade de ajudar...
E da ótica nada usual do viver bem, sem ostentar...
Mesmo que não concorde, hoje é o seu dia...
Dia de celebrar...
Comercial ou não,a data existe...
E já que tem tudo o que precisa...
Nada mais justo do que comemorar...
Tenha pra si mais um poeminha para guardar...
No seu valioso acervo de emoção.
Com amor.
Feliz dia dos pais.
Seu filho.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

pulsão de destruição



PULSÃO DE DESTRUIÇÃO


A pulsão de destruição, denominada por Freud de Pulsão de Morte, geradora de polemicas e controvérsias, a meu ver é o que mantém a vida.
Nossa vida originou-se de uma reação química da natureza em condições propicias para que se multiplicar...
Como todos elementos da natureza, os movimentos são egoístas, individuais, agressivos e sem distinção de bem ou mal. A natureza é expansão individual de cada elemento numa procura louca que não entendemos, para atingir um todo uno e absoluto de um só elemento.
A necessidade de amparo, dada a fragilidade do elemento formado, fez necessária a formação de colônias de iguais e, obrigou o relacionamento dos mesmos, de modo antagônico a força destruidora original. A necessidade criou o amor e amizade.
Esta criação, porém é limitada, o relacionamento harmônico entre dois ou mais seres leva a inércia, tende a parar o movimento da pulsão inicial e esta reage com todo seu poder de destruição. A estabilidade e a acomodação geram o conflito para que a expansão própria do universo não seja interrompida, numa equação acomodação/morte.
Jamais existirá uma sociedade de paz entre seres vivos. Vida é movimento e este guerra e destruição.
Mas, sou poeta e continuo a sonhar com um mundo perfeito que foge da lógica da criação. Que se crie a paz, mas nunca se acomode que será seguida de morte e guerra.
Guarujá, 07/08/2017
Tony-poeta.


domingo, 9 de julho de 2017

COMO CONHECI A FOME

COMO CONHECI A FOME

Nasci em São Paulo, Capital. Passei minha infância em bairro nobre, Jardim Paulista. Meu pai publicitário tinha condições de dar o suficiente sem grandes gastos, o que era comum em uma cidade de imigrantes e descendentes dos mesmos. Comecei a trabalhar com catorze anos, como a grande parte de meus amigos, alguns ainda tenho contato. Trabalhava em Multinacional, estudava a noite, uma vida programada e sem incidentes.
Na região onde vivia não havia fome, começava o fluxo DE Imigrantes na Capital, apareceu o absurdo pau-de-arara, mas, este não atingia a parte nobre. Quando muito os trabalhadores de outros estados alocados nas construções que começavam a aparecer. Mesmo amontoados nos depósitos de material de construção dos edifícios que se erguiam; onde dormiam, faziam sua comida e ali viviam, despertavam minha atenção, porém os olhava sem entender nada.
Foi assim até que entrei em Medicina em Marília. Uma cidade bonita, é até hoje, com uma lavoura pujante, uma cidade muito agradável.
Logo no primeiro ano da faculdade, o Departamento de Medicina Preventiva resolveu fazer um mapeamento da periferia e, aproveitando o ensejo nos colocou a campo para conhecer a futura clientela. Saímos em grupos de seis alunos para aplicar os questionários.
Duas residências marcaram estas visitas. Na primeira, uma casa muito humilde de madeira com dispensa praticamente vazia, uma lata de azeite Galo se destacava, mostrava uma degeneração social e uma tentativa triste de uma posição já perdida.
Na outra o choque foi pior. Uma senhora passiva, malvestida nos informou que o seu filho tinha falecido há dois dias. Não havia nenhum sinal de luto, apenas a falta quase absoluta de viveres e uma porção de crianças e adultos vegetando numa casa de madeira em péssimo estado de conservação. Indagada sobre o luto, a mesma falou sem mostrar sentimentos, nem de dor, nem de revolta, que agora era bom e havia um anjinho para olhar por eles lá do céu.
No quarto ano, já nos primeiros contatos com doentes, na disciplina de propedêutica saltava aos olhos a fome e a desnutrição dos pacientes oriundos da zona rural, muito pobres fora das grandes fazendas. Algumas crianças lembravam as crianças desnutridas de zonas de conflito, apenas pele e osso com os olhos estalados e sem reação a manipulação.
Em 1975 comecei a trabalhar no Departamento de Medicina Preventiva, coincidindo com a grande geada que assolou a região e a maioria dos pequenos proprietários perdeu tudo, inclusive a terra, tomada pelo financiamento da lavoura.
Na época estava vigorando o fornecimento de leite, desde o nascimento até os dois anos de idade. A criança era pesada, o leite fornecido e orientava a mãe como preparar corretamente; no mês seguinte no retorno onde se aferia o ganho de peso, existe um padrão mais ou menos uniforme na infância e era fornecido mais alimento. Foi uma decepção, as crianças voltavam sem ganho de peso, muitas vezes desnutrida ou com infecções intestinais ou pneumonia.
De início, frustrado, culpei as mães, até conseguir entender que haviam crianças de mais de dois anos e a mãe não ia alimentar um e deixar o outro definhando. Este leite era ou diluído, ou quando a mãe conseguia comprar farináceos, muito mais baratos, “engrossava” o liquido e alimentava duas ou três crianças, logico, inadequadamente.
Na mesma época, fui convidado para o Corpo Clinico da Santa Casa, como incentivo assumi a responsabilidade pelos doentes do Funrural. O salário era ridículo, perto de duzentos dólares e a responsabilidade de na ausência de especialista atender todos os doentes não assistidos. Nesta época não havia equipes de especialidades, as poucas que existiam era incipiente, e cada medico cuidava de seus doentes, não havendo médicos de Plantão. Atendia todas ocorrências de pediatria a geriatria.
Foi aí que conheci a miséria, os boias-frias, muitos antigos sitiantes que perderam suas terras e uma população que trabalhava nômade nas colheitas. Esta população corria de Minas Gerais até o Paraná, trabalhando aonde tinha serviço, toda família se deslocava. Muitas vezes dormiam ao relento no meio das carreiras de café onde estendiam lonas. Eram contratados pelos “gatos” locadores de mão de obra que fornecia barracos para moradia ou, ao relento como já falei.
Os que se alojavam eram transportados na carroceria de caminhões, sem cobertura ou qualquer proteção e com acidentes frequentes.
A miséria era visível e palpável, o descaso a dignidade humana era patente. Os problemas sociais eram diários no ambulatório, a fome, desnutrição e doenças infecciosas se destacavam. Para piorar cada acidente levava ao ambulatório muitos doentes acidentados, graves e não tínhamos retaguarda suficiente para tantas pessoas necessitadas de uma só vez.
Com a melhora do ambulatório, e com o parco ganho da especialidade, Clínica Médica, resolvi voltar a São Paulo. A crise estava instalada no País e o desemprego era gigantesco. Estávamos no Governo FHC. Fui atender no período da tarde na Cohab Artur Alvim os doentes de tuberculose.
Uma nova realidade, além da população desempregada, morando várias famílias em um apartamento popular, com só um empregado ou o pai e a mãe aposentado. Um novo problema se destacou, os imigrantes bolivianos.
Estas pessoas, trabalhavam em tecelagem, moravam em aposentos coletivos com toda família, homens, mulheres e crianças, tinham apenas um turno para “usar” as camas que rodiziavam e tinham medo de serem deportados. O ambiente não humano favorecia a tuberculose e, o tratamento para poder ser efetuado, anotávamos apenas o nome e idade do paciente, sem endereço e sem saber os que usavam os aposentos comuns. Se insistíssemos em saber mais detalhes eles desapareciam dado o medo de serem identificados. As condições de moradia só foram conseguidas com muito tato e confiança.
Precariamente, sem o mapeamento dos comunicantes da enfermidade, fornecíamos a medicação sabendo que o problema não estava sendo resolvido. Findo o contrato, não houve renovação e me retirei.
No Governo Lula, atendendo em Bertioga já havia uma organização melhor, a fome não mais se destacava, os doentes estavam com dentes tratados, roupas arrumadas, mais confiantes e com uma melhoria real de suas condições. O País saíra do Mapa da Fome.
Hoje com o desastre da administração pública que é contrária a qualquer programa social a fome voltou. Como já sou septuagenário não verei a repetição da degradação, mas temo que ela venha acontecer.

09/07/17
Tony-poeta





 
FOTO ANNA FTG imagem Google

CONTANDO


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CONTANDO...

O capitalista conta dígitos de seu saldo e sorri.
O subempregado conta moedas para tentar passar o mês.
O desempregado marginalizado conta seus entes mortos
O poeta conta os sorrisos que poderiam existir se todos fossem iguais.
A vida passa sem sorrir ou chorar, não conta nada, apenas caminha.

09/07/17

Tony-poeta